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Foi muito bom o resultado da sexta edição da Virada Cultural em São Paulo, cheia de conteúdo, com opções variadas de lazer e muita diversidade de manifestações;
Por exemplo, as divertidas batalhas de sabres de luz, no novo ambiente chamado de Dimensão Nerd na Praça Roosevelt, assim como os grupos temáticos: Clã Hednire, Cosmoplay Medieval e Grupo Graal, além dos tatuadores na Galeria Prestes Maia.
Ainda uma significativa programação de peças de teatro com personalidades da dramaturgia como Beth Goulart e outras tantas de características menos famosas, mas de importante qualidade, muitas que são peças de grupos e iniciativas alternativas.
Também estiveram incluídas em ambientes paralelos, exposições de artistas plásticos e intervenções urbanas como, sessões de cinemas temáticas sobre Godzilla, musicais, cenas de lobisomens e filmes do Festival de Curtas, que foram exibidos em regiões diferentes, com participações importantes de instituições como SESC e CEU, isto tudo num contexto geral das ações culturais.
E na música houve grandes destaques, como a presença dos músicos cubanos, Barbarito Torres e Ignacio Mazacote, integrantes do projeto Buenavista Social Club, que abriu está edição da Virada Cultural de São Paulo, e mais alguns importantes artistas, entre os que destacaram as bandas dos norte americanos, Big Brother The Holding Company e o grupo Grand Mother Re-Invented, do desaparecido músico Frank Zappa.
A citar a belíssima participação de celebres artistas nacionais tais como, Zélia Duncan, Céu, Toquinho, Hermeto Pascoal, Arlindo Cruz, Jair Rodrigues, Elza Soares, Pitty, Titãs e Arnaldo Antunes, e em destaque o interessante espetáculo chamado “Cantoria”, que reúne os músicos Geraldo Azevedo, Elomar, Xangai, e Vital Farias, um verdadeiro ressurgir estimulante, dentre outros artistas vistos.
Já após o mega evento finalizado no domingo dia 16 de maio, foi realizada uma coletiva de imprensa, em que os organizadores afirmaram que neste ano a Virada Cultural atingiu o recorde de quatro bilhões de pessoas a participar do movimento.
Dentro deste contexto há que observar segundo estes, que muito se justifica pelo crescimento no investimento de 77% para toda a estrutura do evento, onde foram investidos R$ 8 milhões, sendo R$ 5 milhões com cachês de artistas que se apresentaram, e R$ 3 milhões em infra-estrutura, referente a segurança, palcos, banheiros, esquema de trânsito e lixo-limpeza, e lembram que em 2009 foram gastos quase a metade, R$ 4,5 milhões, leia-se R$ 2,5 milhões com artistas e R$ 2 milhões com infra-estrutura.
Lendo estes dados e toda a demonstração efetiva de grandes shows e apresentações artísticas diversas de artes plásticas, teatro e outras, parece ser vital que a Virada Cultural esteja além das questões imediatistas de nuances políticas, sendo uma iniciativa nobre, pujante, de grande valor, mas carece de apoio e compreensão real de certa parte da população em matéria de educação, e por ai, a iniciativa política se pega numa armadilha.
Como o evento amadureceu significativamente, no que tange a estrutura técnica e logística, claro, dado aos naturais erros de edições anteriores, melhoraram e muito do ano passado para cá a distribuição e quantidade de banheiros, embora ainda com precariedades na dinâmica de limpeza dos mesmos.
Senti falta de uma polícia, se não mais ostensiva, mais ativa, me refiro a entender que o caráter prioritário de interferência da autoridade, não se faz necessário só diante de ameaças de facadas, tiros, e afins, e sim também quando existem atos de falta de postura ética e educativa no sentido de respeitar e não depredar patrimônios públicos, palco deste mega evento e do cotidiano da cidade, assim como se deve proteger a civilidade e evitar o constrangimento das pessoas comuns, diante de certas ações de indivíduos que simplesmente fazem algumas necessidades primitivas, sejam fisiológicas ou amorosas em público, por onde também transitavam famílias com crianças e idosos, tratando de usufruir um pouco de lazer e arte espontânea.
Em relação às apresentações, surgiram boas chances para alguns artistas de perfis menos mediáticos, mas ainda se ressente a grande camada de artistas e grupos do gênero local, em não obter oportunidades maiores, até mesmo por que o evento é de ruas também, e mesmo com limitações de orçamento, poderia lhes ser oferecido espaços de apresentação de seus trabalhos, mediante o registro de sua participação em material de divulgação, o que incrementária consistentemente o currículo destes, numa atitude real de democratizar as oportunidades no trabalho da arte.
Por fim, aposto no crescimento deste evento, como iniciativa impar de agregação de valores culturais, mas na torcida de uma contemplação muito mais abrangente no sentido de contextualizar estas necessidades e valores.
Creio que poderia acrescentar pequenas e espalhadas demonstrações de educação, influenciar ao pensamento de verdadeira soberania nacional através do reconhecimento do folclore, literatura didática, debates em rua e até apresentações de grupos retratando o sentido de respeito, conhecimento e direitos da população.
Isto pode se dar, de mãos de artistas e grupos menos reconhecidos também, unidos e remunerados por parte dos organizadores, em movimentos espalhados nas ruas, ou seja, scaths educativos, que falem de higiene, saúde, política, sociedade, família, religião, sem desejo de formação de idéias especificas ou doutrina qualquer, mas de instigar a um senso de disciplina civilizada em função do próprio beneficio social.
Assim estaria ganhando o evento em si, como de enorme responsabilidade sócio-cultural, bem além do mosaico de apresentações e shows, ganhariam os artistas que necessitam trabalhar num espaço e estrutura digno e reconhecido até internacionalmente, e a população, que saberia valorizar mais este ambiente e esta nobre ação, a partir de saber se valorizar enquanto individuo racional e humano. |